Mudanças na História
O cenário "outros 500" é um mundo imaginário onde a história de Portugal e do Brasil tomou um rumo muito diferente do real, resultando mundo bem diferente daquele que conhecemos. Neste como em outros textos referentes à pseudo-história dos "outros 500" existe uma mistura entre realidade histórica e pura ficção. Quem conhece a História verdadeira não terá dificuldade em perceber que, de modo geral, a linha do tempo deste mundo segue de perto a história real até o final da Idade Média, divergindo de forma crescente a partir do século 16. Para não confundir os leitores sobre o que é história e o que é ficção, neste texto as passagens correspondentes a eventos reais foram escritas com caracteres em preto e
as referentes a acontecimentos imaginários em vermelho.Esta linha do tempo segue em linhas gerais o roteiro apresentado em abril de 2000 num
artigo na revista CartaCapital, mas recebeu depois algumas modificações secundárias - principalmente a introdução de alguns seres e de algumas terras imaginárias, bem como de uma pitada de magia - visando obter um cenário mais divertido e mais de acordo com a tradição dos jogos de interpretação (RPGs), ainda que um pouco menos realista. Quatro das novas modificações da história, porém, são anteriores à fundação do Reino de Portugal e têm certa importância para o desenrolar desta linha do tempo alternativa.A primeira refere-se à pré-história: no final do período Cretáceo, um pedaço do sul do continente de Gondwana, entre a Austrália e a Índia, separou-se da massa principal e nela sobreviveu um "mundo perdido" habitado por dinossauros e aves gigantescas.
A segunda supõe a sobrevivência de algumas espécies do gênero humano além do Homo sapiens, incluindo Homo silvestris (semelhantes aos elfos dos mundos de fantasia), Homo pumilionis (anões), Homo ingentis (gigantes), Homo aquaticus (iaras, elfos do mar), Homo nivalis (yeti, homens das neves), Homo ferus (orcs ou carniçais), Homo neanderthalensis (homens de Neanderthal) e Homo erectus (cinocéfalos). Essas espécies têm impacto limitado na sociedade humana, com possível exceção do Homo ingentis, que incluiu alguns guerreiros de certa importância para a história da humanidade dos Outros 500, como Nimrod, Órion, Hércules, Golias, Adamastor, Gargântua e Pantagruel. Estão aí principalmente para enriquecer o cenário de uma forma compatível com a mentalidade da era dos Descobrimentos e eventualmente possibilitar a construção de personagens exóticos.
A terceira torna realidade a metáfora de Utopia
. Em 316 a.C., depois de uma fracassada tentativa de assassinato de Olímpia, mãe de Alexandre Magno, seus familiares - incluindo a rainha Roxane e o herdeiro Alexandre IV - fogem à luta fratricida que se instalara entre os sucessores e, com auxílio do navegador cretense Nearco, levam o sarcófago do conquistador e um grupo de fiéis seguidores para um refúgio numa ilha pouco acessível e praticamente desabitada do mar de Omã, conhecida como Adocentyn ou Al-Asmunain pelos pescadores da região, que temiam suas águas coalhadas de perigosos recifes. Uma vez fortificado seu único porto viável, descoberto nove anos antes por Nearco, a ilha se tornou praticamente inexpugnável e foi chamada de Utopia pelos seus colonizadores. Nos séculos seguintes, resistiu com sucesso às tentativas de conquista dos selêucidas e dos partas, recebeu imigrantes fenícios, judeus, egípcios e babilônios e sobreviveu num quase total isolamento por toda a Idade Média como um reduto da cultura e da magia do mundo antigo, até ser redescoberta pelo navegador português Rafael Boquirroto em 1506.A quarta supõe verdadeira a lenda de Antilha ou Antília, a ilha das sete cidades.
No ano de 714, para não se submeter à invasão árabe, sete bispos portugueses embarcaram com um punhado de fidalgos para tentar alcançar uma terra lendária do outro lado do Oceano. Surpreendentemente, foram bem sucedidos e fundaram sete cidades na ilha de Quisqueya (Hispaniola), que rebatizaram de Antilha. Gradualmente dominaram ou absorveram os nativos e deram início a uma nova nação, que colonizou as ilhas vizinhas. Contatos voluntários ou acidentais com as civilizações nativas do continente - os toltecas no vale do México, os maias na América Central e o império Tiwanaku-Wari nos Andes - resultaram na difusão pelo continente da escrita, da roda, da criação de gado, da equitação e de técnicas metalúrgicas, agrícolas e militares, acelerando o desenvolvimento das culturas indígenas. Além disso, as tentativas antilhanas de conquistar a bacia do Orenoco e suas reservas de ouro e ferro resultaram no surgimento de uma nova civilização indígena no Planalto das Guianas, o império de Manoa. Quando os portugueses fizeram seu primeiro contato com civilizações americanas estas, de modo geral, já estavam em plena idade do Bronze e já conheciam o ferro, embora os antilhanos conseguissem manter o monopólio de sua fabricação.Isto implica uma importante mudança no curso da história dos povos indígenas já a partir do século oitavo
. Na época em que o reino de Portugal foi fundado e até o final da Idade Média, porém, isto não havia afetado de forma alguma o Velho Mundo, cuja história seguiu quase como na vida real. Quase todos os acontecimentos da história de Portugal até meados do século 15 que constam abaixo são reais, tais como constam no Dicionário Prático Ilustrado Lello (Lello, Porto, 1964).Outras modificações em relação ao
artigo na revista CartaCapital se referem ao curso da história das demais nações depois da fundação do Império Português no século 16. Reformulei a história dos seus rivais para torná-los mais poderosos e capazes de oferecer desafios interessantes a personagens de origem portuguesa:Finalmente, foram introduzidas várias outras mudanças após a proclamação da República, mais ou menos sutis em relação ao artigo da CartaCapital, visando criar um roteiro mais consistente para a evolução da sociedade e da tecnologia. Naturalmente, a partir desse ponto a história imaginária já não tem praticamente nada a ver com a história real. Qualquer semelhança é mera coincidência.
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